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| Jorge Malaquias - Jornalista |
Quando as escolas se vestem das mais diversas cores visando a apoteose, eis que um imenso silêncio domina as quadras e, feito câmera lenta, numa visão incrédula do mais real de todos os acontecimentos, a nota triste de que um dos foliões abandonou o desfile antes mesmo da sua escola ingressar na avenida. Descobri na manhã cinzenta, apesar do sol escaldante, de sexta-feira, 28 de janeiro de 2011, o motivo que levou os pássaros silenciarem e o vento não entoar uma sinfonia costumeira. Descobri também o significado da vida, não simplesmente por estarmos correndo o risco de sair dela e deixar um vácuo. Descobri também que o mais importante de tudo é fazermos tudo o que der na "telha" no bom sentido da palavra e ao embarcarmos no trem da viagem sem volta, quando o céu vai surgindo para os que ficam, não levar e nem deixar tristeza por não ter realizado absolutamente nada enquanto existia vida. Posto aqui qualquer coisa, mas com um significado bastante especial a um amigo que conheci em Cabo Frio, profissional de midia, amante do carnaval, amigo de copo, enfim, ser humano que nada mais fazia a não ser viver sua própria vida do jeito que ela o levasse. Falo do profissional e amigo JORGE SOARES MALAQUIAS, carinhosamente chamado por "MALACA" que foi convocado para integrar uma outra escola de samba, aquela do plano superior, onde não ouvir o soar da bateria, o ronco da cuíca e nem o tilintar do pandeiro, mas sabemos que entes queridos foram para lá. Confesso que fiquei surpreso ao saber do óbito desse grande sujeito, olha que os nossos encontros eram esporádicos tipo em alguma quadra de escola de samba da cidade ou pelos bares da vida, já que não dispenso uma cerveja gelada. Ficou uma lacuna na imprensa cabofriense e um aperto em nosso peito com essa triste noticia. O Malaca foi acometido de um infarto fulminante, chegou a ser socorrido, mas não resistiu a mais dois ataques simultâneos e assim se foi às 6h da manhã de sexta-feira, exatamente no dia em que as escolas abrem suas quadras para realizar seus ensaios. Olha que o amigo estava na noite anterior no Espaço de Eventos da Cidade, onde concentra a passarela do samba, rodeado por amigos, entre eles o presidente da Escola de Samba Antiga Abssinia, Claudio Jotha, tomando aquela geladinha. Como se prevesse o futuro. Digamos que foi uma espécie de despedida. Bem, como o Malaquias era bom vivant e não dispensava nada por um bom samba, as agremiações da cidade prestarão homenagens póstamas ao jornalista com muito samba, do jeito que ele gostava. Portanto, nada de tristeza, apesar da ausência do Malaca, vamos cantar e sambar em sua homenagem. Vida que segue!!! Malaquias, siga em frente, pois ficamos em paz por aqui!!!!










